quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

Quando o livro faz parte da vida e rotina dos funcionários

12/12/2011

Programas empresariais educam o funcionário e combatem o déficit de leitura no país


Em um país onde a leitura é um hábito pouco praticado, principalmente entre a população adulta, empresas do setor privado começam a tomar para si a responsabilidade de estimular a leitura entre seus funcionários para elevar o valor intelectual do capital humano e prover um benefício e incentivo aos colaboradores.

Segundo um levantamento o Instituto Pró-Livro referente ao ano de 2007, na ocasião 48% dos adultos brasileiros de 30 a 69 anos se autodeclaravam “não leitores”.

Entre os principais motivos dados pelos entrevistados estão a falta de tempo, o desinteresse, falta de dinheiro e de bibliotecas foram as principais alegações para a ausência do hábito, revelando a necessidade de medidas sociais para impulsionar o desejo e o gosto pela leitura.

Sensíveis a essa necessidade, algumas empresas já têm desenvolvido programas que facilitam o acesso aos livros, oferecem aos colaboradores a possibilidade da troca de conhecimentos e do desenvolvimento pessoal e profissional através do hábito da leitura.

Fonte de motivação

No grupo Cometa, por exemplo, os livros entraram no dia a dia dos funcionários aos poucos. O presidente Francis Maris Cruz, começou a comprar exemplares de alguns títulos para compor as prateleiras de cada unidade da empresa.

Mas o que começou despretensiosamente, se tornou há seis anos um programa estruturado, batizado de Cometa Leitura, com 15 bibliotecas (uma em cada loja do grupo), cerca de 300 livros cada, voltados para temas profissionais como liderança, gestão, relação interpessoal e autoajuda.

A cada mês, os funcionários devem ler ao menos um livro e entregar um resumo do que foi lido ao departamento de RH. Em um evento mensal, alguns leitores sorteados contam sobre o enredo e tema do livro e debatem com colegas possibilidades de aplicar os conhecimentos adquiridos no dia-a-dia da empresa.

“O programa tem ajudado funcionários tímidos a serem mais participativos nas reuniões e melhorou, inclusive, seu relacionamento com colegas, amigos e família”, afirma Cristinei Rodrigues Melo, diretor administrativo do Grupo Cometa.

A participação é voluntária, mas já conta com a participação de 90% dos dois mil colaboradores do grupo. Como incentivo, a leitura de 2400 páginas ao final do ano se tornou uma das metas para que o funcionário possa receber o 14° e até o 15° salário.

Caráter social e apoio público

Desde o ano passado empresas do ABC paulista têm disponibilizado aos funcionários espaços de leitura e empréstimos de livros dentro das fábricas. O projeto chamado Leitura nas Fábricas faz parte do programa Mais Cultura do Governo Federal e tem o apoio do Ministério da Cultura, prefeituras de Diadema e o Sindicato dos Metalúrgicos do ABC.

Ao todo, a cidade possui oito pontos de leitura instalados e inaugurará mais sete em 2012. Além disso, o projeto já conta com apoios para se estender às empresas da cidade de São Bernardo do Campo e posteriormente para todo o Brasil.

Cada ponto conta com um agente de leitura que, além de cuidar do local, têm a missão de incentivar o empréstimo dos livros e a utilização do espaço para leitura nos horários de descanso e refeição.

“O processo de formação de um leitor é muito difícil e deve ser construído aos poucos, até a leitura se tornar um hábito”, explica Lucineide Guimarães, coordenadora do programa em Diadema.

“Estratégias como bilhetinhos nos murais, cartazes e até mesmo a instalação em pontos de maior movimento, são importantes para lembrar ao trabalhador que os livros estão à disposição dele”.

O empresário Nelson Miyazawa é presidente da Legas Metal, uma das primeiras empresas a aderir ao programa e além de novos livros, investe na assinatura de jornais e revistas para o espaço.

“Muitos funcionários começam a frequentar a biblioteca para levar livros para seus filhos e acabam encontrando novamente o interesse pela leitura que haviam perdido há muito tempo ou que nunca tiveram”, diz o empresário.

quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

Mais Livros Mais Livres RBS TV

Campanha Mais Livros Mais Livres de 2007, da RBS TV de Santa Catarina. Vale a pena rever

Anúncio Mais Livros Mais Livres RBS TV
Redação: Moises Dias Neto, André Timm
Direção de Arte: Moises Dias Neto
Ilustração: Éder Minetto






sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

Para Isabel Solé, a leitura exige motivação, objetivos claros e estratégias

"Leitura exige motivação, objetivos claros e estratégias"
Rodrigo Ratier - Nova Escola - 08/12/2011

Foto: Sérgio ScripillitiProfessora do Departamento de Psicologia Evolutiva e da Educação na Universidade de Barcelona, na Espanha, Isabel Solé afirma que a leitura exige motivação, objetivos claros e estratégias. Para a especialista, o professor ajuda a formar leitores competentes ao apresentar, discutir e exercitar as principais ações para a interpretação.

Pesquisas sobre como o leitor interage com o texto circulam no ambiente das universidades desde a década de 1970. Coube à espanhola Isabel Solé, professora do departamento de Psicologia Evolutiva e da Educação na Universidade de Barcelona, na Espanha, trazer a discussão para as salas de aula. Publicado originalmente em 1992, seu livro Estratégias de Leitura esmiúça o papel do professor na formação de leitores competentes (leia a resenha do livro). "O ensino das estratégias de leitura ajuda o estudante a aplicar seu conhecimento prévio, a realizar inferências para interpretar o texto e a identificar e esclarecer o que não entende", explica. De sua casa, em Barcelona, Isabel apontou caminhos para a atuação prática.

Qual a maior contribuição do livro Estratégias de Leitura para a aprendizagem em sala de aula?
ISABEL SOLÉ Eu diria que o maior mérito foi colocar ao alcance dos professores de Educação Básica uma forma de pensar e entender a leitura que já era bastante conhecida no âmbito acadêmico, mas ainda não tinha muito impacto na prática educativa. Afinal, são os docentes que de fato contribuem para a melhoria da aprendizagem da leitura.

O que a escola ensina sobre a leitura e o que deveria ensinar?
ISABEL Basicamente, a escola ensina a ler e não propõe tarefas para que os alunos pratiquem essa competência. Ainda não se acredita completamente na ideia de que isso deve ser feito não apenas no início da escolarização, mas num processo contínuo, para que eles deem conta dos textos imprescindíveis para realizar as novas exigências que vão surgindo ao longo do tempo. Considera-se que a leitura é uma habilidade que, uma vez adquirida pelos alunos, pode ser aplicada sem problemas a múltiplos textos. Muitas pesquisas, porém, mostram que isso não é verdade.

Hoje em dia, o que significa ler com competência?
ISABEL Quando o objetivo é aprender, isso significa, em primeiro lugar, ler para poder se guiar num mundo em que há tanta informação que às vezes não sabemos nem por onde começar. Em segundo lugar, significa não ficar apenas no que dizem os textos, mas incorporar o que eles trazem para transformar nosso próprio conhecimento. Pode-se ler de forma superficial, mas também pode-se interrogar o texto, deixar que ele proponha novas dúvidas, questione ideias prévias e nos leve a pensar de outro modo.

Ensinar a ler é uma tarefa de todas as disciplinas?
ISABEL Sim. Não apenas para aprender, mas também para pensar. A leitura não é só um meio de adquirir informação: ela também nos torna mais críticos e capazes de considerar diferentes perspectivas. Isso necessita de uma intervenção específica. Se eu, leitora experiente, leio um texto filosófico, provavelmente terei dificuldades, pois não estou familiarizada com esse material. É preciso planejar estratégias específicas para ensinar os alunos a lidar com as tarefas de leitura dentro de cada disciplina.

Como os professores das diferentes áreas devem se articular entre si?
ISABEL O que aprendi em minhas conversas com professores é que os da área de línguas têm um papel importantíssimo para ajudar os alunos a melhorar a leitura e a composição de textos no campo de ação da própria língua e da literatura. Os responsáveis pelas demais disciplinas, por sua vez, podem lidar com textos mais específicos. Aliás, como assinalam muitos especialistas, quem leciona também deve aprender progressivamente a compreender e produzir os textos próprios de suas áreas. Em seguida, uma assembleia de professores ou a coordenação podem planejar que, digamos, o titular de História ensine a resumir textos como relatos, que o de Ciências ajude a produzir relatórios e a entender textos instrucionais e assim por diante. Outra proposta é, sempre que possível, trabalhar com enfoques mais globalizantes, com toda a equipe reforçando procedimentos de leitura e produção escrita.

Como é possível motivar os alunos para a leitura?
ISABEL Uma boa forma de um docente fomentar a leitura é mostrar o gosto por ela - quer dizer, comentar sobre os livros preferidos, recomendar títulos, levar um exemplar para si mesmo quando as crianças forem à biblioteca. Os estudantes devem encontrar bons modelos de leitor na escola, especialmente aqueles que não possuem isso em casa.

E como despertar o interesse para a leitura para aprender?
ISABEL O fundamental é que os alunos compreendam que, se estão envolvidos em um projeto de construção de conhecimento ou de busca e elaboração de informações, é para cobrir uma necessidade de saber. Muitas vezes, o problema é que que eles não sabem bem o que estão fazendo. Nesse caso, é natural que o grau de participação seja o mínimo necessário para cumprir a tarefa. Quando os objetivos de leitura são claros, é mais fácil estar disposto a consultar textos ou a procurar algo numa enciclopédia.

De que forma as estratégias realizadas antes, durante e depois da leitura podem auxiliar a compreensão?
ISABEL Elas ajudam o estudante a utilizar o conhecimento prévio, a realizar inferências para interpretar o texto, a identificar as coisas que não entende e esclarecê-las para que possa retrabalhar a informação encontrada por meio de sublinhados e anotações ou num pequeno resumo, por exemplo.

Se pudesse modificar algum ponto em seu livro, qual seria?
ISABEL Eu insistiria muito mais na conexão profunda que existe entre leitura e escrita quando o objetivo é aprender. Essa tarefa híbrida entre a leitura e a elaboração do que se lê por meio de resumos, sínteses e notas tem um impacto muito importante na aprendizagem. Algo que tenho visto nas investigações mais recentes do grupo de pesquisa de que faço parte é que muitos alunos, quando têm de fazer um resumo depois de ler, cumprem a tarefa sem voltar ao texto original para ver se o que se destacou é fiel ao que se leu. Creio que é preciso romper com a sequência "primeiro ler depois escrever". Em vez disso, é melhor pensar que se faz uma leitura já com o propósito de escrever, num processo que envolve a revisão do escrito.

Fonte: Revista Nova Escola

quinta-feira, 17 de novembro de 2011

Sobrevida para o hábito de ler

05/11/2011

Mesmo com tanta tecnologia, ferramentas e meios digitais de disseminação da informação, os livros ainda são apreciados por muitos na busca pelo conhecimento

Patrícia Emiliano

Desde o final do último século, especialistas ao redor do mundo vêm prevendo o sumiço dos livros e o declínio do hábito da leitura em impressos. O apego ao cinema, televisão, videogames e o fascinante mundo da internet são alguns dos elementos responsáveis por essa “profecia”. Aliados a essa tendência, o pouco apreço à instrução como valor social, a pobreza e a falta das bibliotecas públicas, além do corre-corre da vida cotidiana, poderiam conspirar para que o livro como objeto de desejo estivesse fadado ao desaparecimento. Mas, contrariando as expectativas, jovens e crianças itabiranas cultivam o prazer da leitura e reconhecem que um bom texto ainda é imprescindível para o crescimento na vida pessoal e profissional.

Aarão Moreira de Castro Almeida, 10, apesar da pouca idade, rapidamente tomou gosto pelos livros. O garoto já perdeu a conta de quantos leu. Atualmente, lê “Coração de Tinta”, da escritora alemã Cornelia Funke, de 456 páginas. A vontade de devorar histórias começou graças aos pais, que o incentivavam dando livros de presente, mesmo antes de ele saber ler. “Eles traziam livros com histórias curtas e liam para mim e eu fui gostando”, lembra o pequeno leitor.

Em casa, Aarão tem um balcão de livros. Quando há algum de que goste mais, logo pede para os pais toda a coleção do autor. “Às vezes, leio o mesmo livro mais de uma vez. Se começo um e não gosto, troco para outro e depois volto nele, mas nunca deixo um livro pela metade. Muitas vezes eu prefeito ler do que ver televisão ou ficar no computador”. Para Aarão não importa o tamanho do livro, mas o conteúdo que ele oferece. Se lhe interessar, com certeza será lido. O estudante, de dez anos, pega emprestado um livro por semana na biblioteca da escola e o maior livro lido por ele até hoje foi “Ilíadas: Odisseia Original”, de 1.003 páginas.

Para o pai de Aarão, o técnico de automação industrial, Antônio Rubens de Castro Almeida, ter apresentado a leitura ao filho desde criança fez com que hoje ele entenda e tenha uma percepção melhor da vida e do mundo. “O hábito de ler ajuda as crianças a se relacionar melhor com os outros, a aprender mais facilmente e a gostar de descobrir coisas novas”, diz o pai.

Além do incentivo dos pais, o garoto também recebe incentivo na escola onde estuda. Para a professora e coordenadora de Português da Fide, Maria Ruth de Castro Almeida, é dever de todas as instituições de ensino investir em livros e impressos. Ambos requerem habilidades que favorecem o foco, leitura linear, concentração e conhecimento de mundo. “A linguagem é rica e, através da leitura, a pessoa adquire poder de argumentação, melhora a escrita e sabe se expressar melhor. Nada que a tecnologia substitua”, opina a professora.

Na escola em que Ruth trabalha, os alunos do 2º ano, com idade de 7 anos, levam livros para casa semanalmente. Eles também têm, uma vez por semana, aula de Literatura. Os alunos ainda trabalham com as obras de Carlos Drummond de Andrade e de outro autor que escolherem. Ruth considera imprescindível que o hábito de ler seja incentivado na base e tenha início em casa, sendo complementado e reforçado na escola.

Outra amante da leitura é Beatriz Leite Pessoa, também de dez anos. Assim como o menino Aarão, ela teve o incentivo à leitura em casa, por meio dos pais. Hoje, o hábito é continuado e estimulado pelos projetos literários da escola que constantemente apresenta novidades aos alunos. “O livro distrai, me ensina e imagino tudo o que leio. Às vezes leio até no recreio”, conta Beatriz. A garota entende que a leitura a ajuda na escola, principalmente quando precisa usar a imaginação para fazer redações. Entre os preferidos estão os romances e obras de ficção, como as sagas Crepúsculo e Harry Potter. Todos já foram lidos.

Já a colega Amanda, de 11 anos, gosta de ler de tudo. O seu interesse se estende a revistas, jornais, livros e impressos em geral. Como a mãe é professora, em casa sempre tem acesso a livros e a assinaturas de revistas e jornais. Começou a ler por curiosidade e logo se apaixonou. Amanda diz que hoje tenta influenciar o irmão mais novo, de sete anos, “mas ele prefere mesmo é ficar no computador”. No entanto, ela não desiste e quer aproveitar junto do irmão os três armários repletos de livros que a família tem em casa. Hoje, ele só é usufruído pela irmã mais velha, de 16 anos.

Conhecimento à disposição

A biblioteca Luiz Camillo de Oliveira Netto, da Fundação Cultural Carlos Drummond de Andrade, única biblioteca pública de Itabira, conta, atualmente, com um acervo de cerca de 30 mil livros. Lá podem ser encontradas obras de literatura infanto-juvenil e para adultos, obras de referência e obras informativas de todas as áreas do conhecimento. Tem também acervo em Braille, que inclui obras de diferentes escritores, como Machado de Assis, Victor Hugo e também de autores de Best Sellers, como Dan Brown. Nela também é possível ter acesso a periódicos, como jornais e revistas, e também à internet.

Segundo a bibliotecária Elisabete Tércio dos Santos, os livros disponíveis são bastante utilizados e a biblioteca frequentada, ao contrário do que muita gente pensa. O público, em sua maioria, é formado por estudantes e jovens em geral. Os adultos procuram mais livros de auto-ajuda e romance. Por semana, de acordo com Elisabete, passam pelo local cerca de 600 usuários. Somente em agosto foram emprestados, exatamente, 1.089 livros.

Como forma de incentivar a leitura na cidade, a Fundação Cultural Carlos Drummond de Andrade promove alguns projetos como o “Pegue, leia e repasse”, e “Leia mais”, no qual um lote de 913 livros é distribuído em sete pontos da cidade. Quem queira ter acesso aos livros da Biblioteca Pública deve fazer um cadastro mediante taxa única de R$ 2,00.

Livros e cinema

A proprietária de uma livraria em Itabira, Juliana Cássia Naves Araújo, atribui o resgate do interesse dos jovens pela leitura aos livros cujos roteiros basearam filmes no cinema. É o caso das sagas Harry Potter, Crepúsculo, Percy Jackson, Senhor dos Anéis e Crônicas de Nárnia, verdadeiros fenômenos de vendas. “Muitos jovens que não gostavam de ler adquiriram o hábito por meio dos livros de Harry Potter, por exemplo. Foi uma febre de vendas”, conta a empresária.

De acordo com Juliana, as pessoas compram mais os livros divulgados pela mídia. O que escapa dessa onda de mercado são os livros infantis, escolhidos, normalmente, por um impulso afetivo das crianças. “É importante que os pais deixem seus filhos optar pelo que eles querem ler. Claro que é necessário orientar naquilo que é adequado para a idade. No entanto, vejo aqui muitos pais querendo que os filhos leem literatura, obras que eles consideram de qualidade. Neste momento cria-se uma antipatia entre a criança e o livro”, explica Juliana.

Com o know how de quem vive do mercado literário, a empresária avalia, ainda, que em Itabira falta incluir o hábito de ir a uma livraria como cultura e como forma de lazer. “Nos grandes centros, levar os filhos à livraria é uma forma de diversão. Hoje, os livros também estão evoluindo, ganhando maneiras, texturas, formas diferenciadas, sons, línguas estrangeiras. Ele deve ser dado como presente, incentivando a leitura. Um livro pode ser muito mais divertido que um brinquedo e é muito mais barato e didático”.

Livros para educar

Há quem tenha paixão por livros e não abra mão de estar sempre atualizado frente às novidades oferecidas no mercado, como é o caso da empresária Carolina Lage e Silva, de 33 anos. Toda semana, ela vai à livraria em busca de novidades previamente pesquisadas. Ela conta que sua casa se tornou uma biblioteca para amigos e parentes e exibe entusiasmada a estante com centenas de livros.

O seu amor pelos livros surgiu na escola, quando ainda estava na 4ª série. Toda semana, a professora pedia que os alunos levassem um livro para casa e, assim, ela se apaixonou por eles. “Quando comecei a trabalhar, passei a comprar livros. São meus companheiros. Não consigo dormir sem ler. E, como viajo muito a trabalho, sempre tem um na minha bolsa. Até nas viagens de férias sempre levo um comigo”, diz a empresária.

O hobby de Carolina já influencia a filha Luíza, de três anos e meio. De tanto receber livros de presente, a pequena já se sente confortável transformando o cenário de casa em biblioteca. No momento em que a mãe era entrevistada, Luíza se mantinha entretida com livros aos montes, espalhados pela sala, e contando histórias para a coleguinha Laura a partir das gravuras que via em seus livrinhos.

Para a pedagoga Leir Lage, quando os pais leem para os filhos pequenos, mais que um incentivo, o gesto representa um ato de carinho. “A criança se sente acolhida e associa essa sensação a coisas boas. É um ganho para a vida toda, fazendo com que ela sinta essa relação com o livro. A criança só se tornará um leitor no futuro se conseguir adquirir o hábito desde cedo”, conclui a pedagoga. 








terça-feira, 1 de novembro de 2011

Aprender a ler transformou minha vida

Cidades, domingo, 30/10/2011
Larissa Claro

Aprender a ler transformou minha vida


Aos 36 anos, o operário da construção civil, Everaldo Francisco dos Santos, experimenta o prazer da leitura. Ele é um dos alunos do Projeto Escola Zé Peão, que além de alfabetizar, promove o incentivo à leitura nos canteiros de obras de João Pessoa por meio de uma biblioteca volante. O livro que agora faz parte da rotina de Everaldo não deveria ser algo pontual, mas inserido na realidade de todos os paraibanos.

Segundo a pesquisa Retratos da Leitura no Brasil, um em cada três brasileiros conhece alguém que venceu na vida graças à leitura. Um desses brasileiros é o operário paraibano. “Aprender a ler transformou a minha vida. Agora eu vejo o mundo de uma forma diferente porque posso identificar as coisas, como o que está escrito em placas”, revelou Everaldo.

Apesar dos esforços do Ministério da Cultura para diminuir o número de municípios sem bibliotecas no país, a procura pelos equipamentos ainda é discreta. Na Paraíba, em um ano, caiu de 15 para sete o número de cidades sem bibliotecas públicas municipais.

Ainda assim, especialistas e usuários reclamam da defasagem no acervo, falta de modernização nas instalações e, principalmente, a desvalorização do profissional de biblioteconomia, que nem sempre está à frente desses equipamentos.

Ontem, foi o Dia Nacional do Livro. Promover o acesso a ele e a mais bibliotecas ainda é um desafio para a Paraíba e o Brasil.
221 Bibliotecas

Em todo o Estado, 221 bibliotecas públicas, entre cadastradas e não cadastradas no Sistema Nacional de Bibliotecas, atendem a população. Esse número, no entanto, pode ser maior, já que algumas bibliotecas não constam em cadastros e levantamentos da Fundação Biblioteca Nacional, como a Biblioteca Pública do Estado, localizada na Avenida General Osório, e a do Instituto Histórico e Geográfico da Paraíba (IHGP).

1 para 17 mil
Se a atual situação do Estado for comparada ao último levantamento da FBN sobre o cenário nacional, feito em 2009, a Paraíba ocupa uma posição mais favorável: uma biblioteca para cada 17 mil habitantes, enquanto no Brasil sobe para 33 mil o número de habitantes por biblioteca.

Sete cidades da PB não têm biblioteca

Dos 223 municípios da Paraíba, apenas Belém do Brejo da Cruz, Borborema, Cubati, Itatuba, Pocinhos, Riachão do Bacamarte e Campo de Santana não possuem bibliotecas. Já as cidades de João Pessoa, Cabedelo, Santa Cruz e Santa Rita possuem mais de uma. Na Capital, constam no Sistema Nacional de Bibliotecas o equipamento do Espaço Cultural (Biblioteca Juarez Gama Batista), a Biblioteca Municipal (que será instalada no antigo Conventinho, no Varadouro) e a Biblioteca Ariano Suassuna, na Casa do Artesão.

De acordo com a coordenadora do Sistema Estadual de Bibliotecas, Cybelle Macedo Nunes, apenas 132 bibliotecas de 127 municípios estão cadastrados no Sistema. Ela explica que é fundamental que todas as bibliotecas públicas municipais se cadastrem para receber do Ministério da Cultura todos os benefícios ofertados através de programas de assistência à biblioteca, como distribuição gratuita de livros, computadores para modernização e apoio técnico.

O nome já diz a que veio: Projeto Escola Zé Peão. A iniciativa de proporcionar aos operários da construção civil a possibilidade de aprender a ler é do Sindicato dos Trabalhadores da Indústria da Construção Civil (Sintricon), mas ganhou parceiros ao longo dos anos. Hoje, dois projetos de extensão da Universidade Federal da Paraíba complementam a ação. Trata-se de uma biblioteca volante e ações culturais. As duas iniciativas são coordenadas pelas professoras e coordenadoras do curso de Biblioteconomia, Geisa Flávia e Alba Lígia.

O projeto Zé Peão teve início em 1991 e ganhou a adesão do projeto ‘Biblioteca Volante: Instrumento de Lazer, Cultura e Informação’ cinco anos depois. Em 2011, 20 anos depois da primeira aula, outra iniciativa do curso da Biblioteconomia da UFPB se uniu ao projeto: a Ação Cultural. Agora, além de ofertar livros aos operários, eles participam de diversas ações culturais, como a visita a bibliotecas e a museus da cidade.

O senhor Everaldo Francisco dos Santos, mencionado no início da matéria, é um dos operários beneficiados pelo projeto. Para ele, aprender a ler foi um divisor de águas, já que durante toda a sua vida a insegurança foi um sentimento sempre presente. “Antes eu não sabia ler uma placa, tinha que perguntar sempre as pessoas. Hoje eu posso identificar as coisas. Pegar um papel na mão e ler o que tem nele é muito prazeroso”, disse.

Everaldo mora na cidade de Alagoinha, mas passa a semana em João Pessoa trabalhando na construção de um prédio no bairro Jardim Luna. As aulas de alfabetização acontecem de segunda a quinta-feira, sempre à noite. Parece obra do destino, mas atualmente ele presta serviço à construtora ABC.
Paraibano lê só 4,2 livros por ano

De acordo com a última pesquisa Retratos da Leitura no Brasil, realizada pelo Instituto Pró-Livro, o brasileiro lê, em média, 4,7 livros por ano, sendo que 3,4 são livros indicados pela escola (incluindo didáticos) e apenas 1,3 livros são lidos fora da escola. O paraibano lê um pouco menos: 4,2 livros por ano. Nos três meses anteriores a pesquisa, 45% da população pesquisada disse não ter lido nenhum livro. Isso mostra quanto a leitura precisa ser estimulada na população brasileira.

Para a bibliotecária e coordenadora do curso de Biblioteconomia da Universidade Federal da Paraíba, Geisa Flávia Câmara, esse estímulo deve começar nas escolas, mas algumas instituições trabalham os equipamentos de leitura de maneira equivocada. “A leitura deve ser trabalhada como instrumento de lazer, libertação e prazer, nunca como castigo. O aluno gazeia aula, por exemplo, e como castigo ele é levado para a biblioteca”, ressaltou. A vice-coordenadora do curso e também conselheira do Conselho Regional de Biblioteconomia, Alba Lígia de Almeida, concorda com a colega e acrescenta: “Os alunos não sabem utilizar a biblioteca e todos os serviços que ela oferece, justamente porque não há profissionais capacitados”, alertou.

A categoria vem lutando pela presença de bibliotecários formados em todos os equipamentos, sejam bibliotecas públicas, escolares ou particulares. De acordo com a Lei 12.244/ 2010, até 2020 todas as escolas públicas e privadas devem ter bibliotecas e estas devem contar com profissionais qualificados. Os resultados deverão surgir em médio prazo, mas, para Alba Lígia, a Lei representa um grande avanço e terá um papel significativo na educação de crianças e adolescentes. “O papel do bibliotecário não é só gerenciar livros, mas promover o acesso a informação e o estímulo a leitura através de várias ações, desde a organização de uma vitrine que chame a atenção do leitor, até contar histórias, e se o bibliotecário não tem esse dom, ele pode ser um mediador. O que não pode é transformar a biblioteca em depósito de livros”, afirmou.

Conselheiro de governança do movimento Todos Pela Educação, Mozart Neves Ramos afirma que o papel do bibliotecário no século 21 mudou radicalmente. “O profissional tem que ter a percepção de que a biblioteca não é apenas um lugar de armazenar livros e que o seu papel não é controlar devolução e empréstimo de livros. Hoje o bibliotecário tem que ser um catalisador, ele deve ajudar os alunos a chegar de modo mais fácil ao conhecimento”, comentou.

De acordo com o Censo Escolar 2010, das 1.190 escolas públicas da rede estadual, 509 têm bibliotecas ou salas de leitura, o equivalente a 42,47%. Já nas redes municiais de ensino, o número é ainda mais alarmante. Apenas 12% das escolas dos municípios paraibanos possuem bibliotecas. São 6.008 escolas e apenas 721 bibliotecas.

JP terá biblioteca pública moderna


Por deficiência na estrutura física do antigo Conventinho, no Varadouro, a entrega da Biblioteca Municipal de João Pessoa, prevista para este semestre, ainda não aconteceu. O equipamento promete ser o mais moderno do Estado, com sistema de automação e uma ilha com 32 computadores conectados à internet disponível aos usuários. O acervo de mais de 18 mil publicações está armazenado em um depósito da prefeitura e aguarda o fim da reforma para ocupar as estantes. O acervo será dividido por setores, com espaços exclusivos para obras infantis, braile, periódicos e autores paraibanos.

O coordenador da implantação da Biblioteca Municipal de João Pessoa, Marcos Paulo Rodrigues, disse que a inauguração ainda não tem data, mas garante que as obras estão sendo conduzidas a todo vapor. “Estava tudo certo para entregarmos no início do semestre, antes da prova do Enem, mas quando as obras começaram os engenheiros viram que o prédio não tinha alicerce, então tivemos que realizar novo processo de licitação”, explicou.

Atualmente, a equipe está trabalhando no Centro de Capacitação de Professores (Cecapro), onde realiza, entre outros trabalhos, o de automação do acervo. Segundo Marcos Paulo, a Biblioteca Pública de João Pessoa vai abrir todos os dias. Será a única na Capital com acesso ao público nos finais de semana. O coordenador também adiantou que a prefeitura municipal vai apoiar projetos realizados pela população de incentivo à leitura. “Essas pessoas estão realizando o trabalho do Estado, portanto, a prefeitura vai dar todo o apoio. A proposta de Lei já foi aprovada na Câmara Municipal e já estão sendo articuladas as questões burocráticas”, afirmou.

Maioria não é informatizada

A maioria das bibliotecas públicas da Paraíba funciona basicamente com o acervo, mobiliários e equipamentos enviados pelo Ministério da Cultura através de kits de implantação e modernização de bibliotecas, formado por um acervo de pouco mais de mil livros, dois computadores, uma televisão, quatro mesas, seis estantes, entre outros equipamentos. Para especialistas e usuários de bibliotecas, o acervo, em geral, é defasado, e a falta de um sistema informatizado atrasa o acesso ao conhecimento.
Até as grandes bibliotecas do Estado – a exemplo da Juarez Gama Batista, do Espaço Cultural, e a Biblioteca Pública do Estado, na Avenida General Osório – sofrem com essas condições. A primeira possui um acervo de aproximadamente 100 mil publicações, entre livros, periódicos, atlas, enciclopédias, CDs, DVds, entre outros. Por mês, registra uma presença média de quatro mil usuários. No último mês de agosto, foram 456 empréstimos. Entre as bibliotecas públicas do Estado, a do Espaço Cultural é a maior do Estado, mas também apresenta problemas para os usuários.

Não há computadores disponíveis para usuários, como também não existe sistema informatizado. Os usuários também reclamam da defasagem do acervo. A biblioteca ficou fechada para reforma por seis anos, reabrindo ano passado com novo piso, cadeiras, mesas e sistema de ar condicionado. Apesar de não disponibilizar computadores, a biblioteca oferece internet wi-fi para os usuários. “O acesso a internet era uma solicitação constante dos usuários. Ainda não tivemos condições de adquirir computadores, mas o acesso a internet não era impossível. Muitos usuários já trazem notebooks, iPads e tablets para pesquisar”, comentou.

A candidata ao vestibular Raiara Viena, de 21 anos, frequenta a biblioteca do Espaço Cultural desde que abriu. Ela procura o espaço para estudar e explica que encontra o silêncio e o conforte que precisa. A estudante não depende do acervo da biblioteca, mas conta que já presenciou alunos de Direito e candidatos a concursos públicos reclamarem da defasagem dos livros. “Eles contam que o acervo não é atualizado. Para mim, o maior problema é o espaço. As vezes a gente não encontra lugar pra sentar de tão procurada que ela é. Fora isso, não vejo problema. A biblioteca é confortável, tem ar condicionado e a iluminação é boa”, conta.

O autônomo Edson Alencar, de 45 anos, é cadastrado na biblioteca Juarez da Gama Batista há quase 20 anos. A cada 15 dias, ele vai à biblioteca devolver e pegar novos livros, hábito que cultiva desde a juventude. Para o profissional autônomo, apesar de não encontrar todos os títulos que procura, a biblioteca do Espaço Cultural atende bem a comunidade. “Há um desinteresse muito grande pela leitura, principalmente por pessoas da minha geração. Acho que quando uma pessoa quer ler ela dá um jeito e o faz, não pode depender exclusivamente da biblioteca”, afirma.

Edson sente falta de um sistema informatizado, mas conta que procurar os títulos nas estantes é um bom exercício de memória e de incentivo a novas leituras. “Eu prefiro o sistema tradicional ao sistema informatizado porque a gente acaba encontrando outros títulos de interesse, mas sei que faz falta”, conta. Esse também é um problema enfrentado pelos usuários da Biblioteca Pública do Estado, a mais antiga do Estado, localizada no Centro da Capital.

A coordenadora do equipamento, Kátia Augusta da Silva, garante que a biblioteca será automatizada, mas por enquanto o sistema ainda é manual.
Dos livros tradicionais aos digitais


O radialista Paulo Santos anda com uma biblioteca a tiracolo. Atualmente são 25 exemplares, de Eça de Queiróz ao peruano Mario Vargas Llosa. As obras estão no iPad que adquiriu há dois anos, onde já leu pelo menos 20 livros - “com conteúdo grande”, ele destaca - e incontáveis revistas e apostilas. Para o radialista, o livro é interessante, mas o hábito da leitura é mais importante e deve ser estimulado seja através do livro ou a partir de dispositivos eletrônicos.

“A minha geração ainda vê o livro como algo insubstituível. O livro é interessante, mas o hábito da leitura é mais importante e não podemos por capricho de uma geração barrar o processo de desenvolvimento da humanidade”, disse. O radialista conta que atualmente lê mais no dispositivo eletrônico do que no papel. “A gente pode guardar fragmentos dos textos para ter acesso depois só ao que interessa. Isso conta muito pra mim”, explica.

O radialista também vê os audiobooks com bons olhos, mas recorrer sempre a esse formato, para ele, é sinônimo de preguiça. “Eu só escuto se for noutra língua pra estimular a fluência. Criar o hábito só de ouvir é preguiça, mas a atual geração vê de maneira diferente. Acha legal. De qualquer forma, está absorvendo a informação”, afirma.

As novas mídias, como os iPads, tablets e-books, ainda são uma realidade longe das bibliotecas públicas da Paraíba. O conselheiro do Todos Pela Educação, Mozart Neves, explica que o conceito de biblioteca nos dias atuais passou a ser de um ambiente de troca de conhecimento que vai além da consulta ao livro, por isso o acesso às mídias eletrônicas são importantes e indispensáveis. “É papel do Estado começar a prover essas condições de acesso a informação”, disse.

Para a bibliotecária Geisa Flávia, as novas mídias são importantes, mas se muitos alunos brasileiros não têm sequer acesso ao livro, o governo deveria se preocupar primeiro com o essencial, para depois de preocupar com a tecnologia. “Se conseguirmos aliar o tradicional ao tecnológico, melhor, mas a preocupação primeira deve ser o acesso ao livro”, comentou.

Sobre a polêmica de que as novas mídias levarão ao fim do livro, a assessora de imprensa da Associação Nacional para Inclusão Digital (Anid) especialista em Gestão Estratégica da Comunicação Digital, Fabrícia de Oliveira, comenta: “Algumas pessoas (independente da idade) têm uma intimidade maior com o livro, seja pelo manuseio das páginas, peso, cheiro do papel, exibição nas estantes. Sendo assim, o livro no formato tradicional nunca será substituído, continuará sendo especial, não perderá sua essência. Uma mídia não substitui a outra, elas se complementam. O importante é ampliar as formas de leitura”.

Fonte: Correio da Paraíba

segunda-feira, 31 de outubro de 2011

Livros: incentivo deve começar cedo

Matéria publicada em: 27 de Junho de 2011
Desde os primeiros anos, a relação da criança com livros pode ser estimulada
Crédito: VINÍCIUS RORATTO

A reconhecida importância da leitura e do contato com livros, desde à infância, mobiliza, cada vez mais, educadores e pais em diversas ações junto a famílias e na rede escolar. São iniciativas que valorizam e expandem a relação da criança com a leitura, além de ensinar e orientar pais e professores.

Segundo a pesquisa "Retratos da Leitura no Brasil II", do Instituto Pró-Livro, 48% dos entrevistados não leram um livro nos três meses anteriores ao ingresso nos estudos, sendo assim declarado como não leitor. Outro dado preocupante é o fato de que 86% destes nunca foram presenteados com livros na infância.

Sônia Zanchetta, executiva da Câmara Rio-Grandense do Livro, avalia que o assunto tem recebido mais espaço. Responsável pela área infantil da Feira do Livro de Porto Alegre, explica que "os benefícios à aprendizagem e ao desenvolvimento das crianças são reconhecidos. Nossa meta é ampliar essa informação para outras famílias", revela Sônia.

Na intenção de atrair o interesse das crianças pela leitura, muitos estímulos são utilizados nas obras infantis, como grande número de imagens e ilustrações ou uso de outros materiais - como borracha e plástico. Alguns livros podem, até, ser levados para o banho. "Essas ferramentas estimulam a criatividade e a percepção das crianças, fazendo com que aumente o interesse pela leitura", assinala Sônia.

Para a coordenadora do projeto "Adote um Escritor", da Secretaria de Educação de Porto Alegre (Smed), Sandra Porto, o contato com os livros leva as crianças a desenvolver o hábito da leitura e a procurar novas obras e autores. Ela cita o interesse dos alunos no "Adote um Escritor", iniciado em 2002. A ideia é que as escolas abordem, ao longo do ano, as obras de um autor, em atividades de leitura e debate; tendo como ponto máximo o encontro da criança com o escritor.

Sandra lembra que, durante o projeto, muitos alunos acabam buscando sozinhos outras obras do autor e, até, de outros escritores; estimulando, inclusive, o envolvimento da família dos estudantes. Segundo a coordenadora, a ação tem gerado tanto interesse, que já foi incorporada a alguns calendários de escolas.

Fonte: Correio do Povo

Campanha da Associação Ligia Averbuck, associação de amigos do Instituto Estadual do Livro - RS

04.10.2011

Entrou no ar hoje a campanha da Associação Ligia Averbuck, associação de amigos do Instituto Estadual do Livro. A campanha, criada pela Competence, busca associados para incentivar a formação de novos e melhores leitores no Rio Grande do Sul.

Em sua parte gráfica, as peças mostram personagens clássicos da literatura internacional lendo livros de autores gaúchos – mostrando que quem vive entre páginas de livros, aprecia nossos autores. Vemos, por exemplo, o Pequeno Príncipe lendo Moacyr Scliar ou os Três Mosqueteiros lendo os três volumes de O Tempo e O Vento. As ilustrações da campanha, lindas aquarelas, foram feitas por Fernando Geisel.


Na parte eletrônica, temos spots de autores gaúchos falando da sua relação com os livros – revelando, inclusive, o leitor que existe em cada um deles. Martha Medeiros, Leticia Wierzchowski, Claudia Tajes e Jorge Furtado já gravaram depoimentos, apoiando esta nova fase da Associação Ligia Averbuck e do IEL. Os spots foram produzidos pela produtora “B”.

A campanha será veiculada com o apoio dos veículos do estado – e, desde já, Ana Mottin da Associação Ligia Averbuck e a Competence agradecem este apoio.


IEL - Martha Medeiros by Competence Com Mkt

IEL - Leticia Wierzchowski by Competence Com Mkt

IEL - Jorge Furtado by Competence Com Mkt

IEL - Claudia Tajes by Competence Com Mkt

Ficha Técnica
Anunciante: Associação Ligia Averbuck
Agência: Competence
Direção de Criação: Marcelo Pires
Direção de Arte: Mauricio Medeiros Donati e Bruno Rodrigues
Redação: Marcelo Pires e Gustavo Barletto
Produção Gráfica: Sergio Aguirre
Produção Eletrônica: Léa Macedo
Mídia: Carla Azevedo
Planejamento: João Satt, Patricia Carneiro e Mateus Piveta
Atendimento: Rosangela Lopes, Cristiane Farias e Rafaela de Faveri
Arte-final: Antonio Schneider e David Schell
Ilustração: Fernando Geisel
Produtora de Áudio: B Sound Thinking
Produção Gráfica: Print Paper, Pallotti, Ideograf, Pino, Benevenuto, Idéia e FreeDesign
Aprovação (cliente): Ricardo Silvestrin, Ana Mottin



Fonte: Instituto Estadual do Livro

Dica: Transforme a leitura em um momento de prazer

Ler é uma coisa gostosa e é este tipo de associação que a criança e, depois, o adolescente deve fazer. Para isso, algumas recomendações:

  • Dê livros ou revistas de presente
  • Deixe-os ao alcance da mão
  • Deixe que ele folheie os livros, veja as figuras e invente uma história
  • Repita a leitura do mesmo livro quantas vezes ele quiser
  • Comente o livro com ele
  • Incentive-o a contar a história a alguém
  • Estimule-o a emprestar seus livros e a pegar livros emprestados
  • Estimule atividades que precisem da leitura – jogos, receitas, mapas
  • Nunca obrigue seu filho a ler para que ele não crie aversão ao livros
"Todos os dias leio um pouquinho para minha filha Irene. É muito divertido."
Silvia Buarque, atriz

Fonte: Educar para crescer

quarta-feira, 26 de outubro de 2011

Brincar de Ler

Christine Castilho Fontelles*

Quando um bebê começa a ser gerado no útero da mãe, e coloniza o coração das famílias à sua volta, imediatamente nascem expectativas e inquietações. Uma série de providências e cuidados especiais iniciam uma rotina especial para acolher esta nova vida. A mãe faz exercícios, yoga, drenagem linfática, começa a cantar e ler para o filho que vai chegar, arrematando cuidadosamente uma cumplicidade para toda a vida. No enxoval do bebê constam itens fundamentais como fraldas, lençóis, toalhas, mamadeiras, termômetro, brinquedos, livros.

No útero da mãe, o bebê já participa do ambiente que o hospeda. Ambos estão profundamente ligados. Ele ouve a sua voz e reage aos estímulos proporcionados. Seus corações batem simultaneamente. Quando nasce, é envolto em acalantos e ouve belas histórias. Agora, apesar de intimamente ligado à mãe, também reconhece os carinhos da família. Nos banhos matinais, a água morna e a suavidade do toque das mãos de seus cuidadores dão o tom aconchegante ao ambiente. E para que tudo fique divertido – brincadeira é coisa séria para criança, é seu meio de reconhecer o mundo que o cerca –, boiam em sua banheira bichinhos de borracha e livros de plástico, coloridos. Aos poucos, o bebê manuseia estes objetos, reproduzindo o gesto cotidiano de seus cuidadores.

Os meses avançam e a interação do bebê com o mundo é cada vez mais intensa. Rola pelo chão, instigado por objetos que chamam a sua atenção, exercitando os seus “acessórios” – tronco, braços, pernas, pés, mãos. Tudo deve ser suave ao toque do bebê, os brinquedos e livrinhos são de panos coloridos. Curioso, observa atentamente os movimentos realizados por seus pais e cuidadores. Com a bola, pra lá e pra cá; o carrinho, que vai e vem; a boneca, que se aproxima e se afasta; as páginas do livro que abrem e fecham, em conexão com a voz dos adultos que lhe ofertam esta brincadeira.

Os objetos passam da mão à boca. Os bebês se encontram em plena fase oral e literalmente experimentam o mundo que os cercam! Começam a engatinhar ao som de canções que lhe são tocadas ou cantadas – tentam imitar os sons emitidos pelos seus cuidadores. Passam sobre tudo que está no caminho: almofadas, brinquedos e livros cartonados, com muita imagem e muita cor. Levam-nos à boca e os seguem com os olhos fascinados na medida em que um adulto vira suas páginas revelando novas formas, cores, novos sons. Assim vai aprendendo que a vaca faz “muuuu”, o galo faz “cocoricó”, o cachorro faz “au au”, as buzinas fazem “bi bi”. O mundo é divertido, colorido, aconchegante e tem sempre alguém pronto pra lhe doar tempo, cuidado, amor e muitos, muitos sons. Devagar ele aprende que esses sons são palavras e que as palavras são “imagens” para se ver, ouvir, falar e escrever.

Livros são meios de transporte

As preferências vão surgindo ao longo das experimentações: sabores, cores, músicas, brinquedos, histórias, lugares, pessoas – os vínculos mais estreitos, claro, são reservados à mãe, ao pai, aos irmãos, à família e aos cuidadores. Com eles, olha e escuta atentamente, repete sons e atitudes. Em seu baú de brinquedos tem bola, boneca, livro, peteca, monta-monta, bichinhos, carrinho... Ah! E os livros, com sons ao toque do dedinho, texturas diferentes e pop ups são os mais curtidos – como é igualmente curtida a presença do cuidador, sua voz, seu toque, seu carinho. Todo objeto, brinquedo e livro são meios de transporte de cuidados e de afeto.

Pesquisas feitas pelo Instituto Paulo Montenegro revelam que o gosto da leitura tem influência direta das mães (41%), dos professores (36%) e dos pais (24%). Portanto, proporcionar ao bebê uma rotina de contatos com a leitura em voz alta e com os livros, além de garantir-lhe um melhor desempenho escolar, terá papel importantíssimo na elaboração de suas emoções e na construção da sua base afetiva.

A leitura é uma atividade social que nasce a partir da mediação de um adulto educador, pais e professores, com a criança. Não nascemos leitores; nos tornamos leitores porque esta é uma prática social. Nos tornamos leitores por convívio e por contato. Como diz a fonoaudióloga Lucila Pastorelo, mestre em psicolinguística pela USP, “falamos com os bebês para que aprendam a falar; dançamos com os bebês para que aprendam a dançar. É preciso ler para crianças pequenas, bem pequenas, sempre. Para que elas possam ler, ter acesso ao mundo e tornarem-se cada vez mais humanas”.

As crianças se tornam leitoras literalmente no colo dos pais, mesmo que estes não saibam ler ou tenham dificuldades de leitura. Mais tarde, na escola, dão sequência a este aprendizado acompanhadas de seus professores, como mostra este belo relato do poeta Bartolomeu Campos de Queirós: “Meu trabalho, enquanto professor, passou a ser dar asas às fantasias das crianças. Não desprezar a intuição como meio de ler a poesia que circula no mundo veio ser a minha metodologia. Por ser assim, a arte, com sua total falta de preconceitos, guiava nosso convívio. E nós éramos felizes”.

E até parece que eles já nascem sabendo disso, como nos revelou o Petrus, garoto de 13 anos de Laranjal Paulista (SP): “Podemos não aprender a ler e escrever na barriga da mãe, mas lá é que as nossas palavras são feitas, e quando nascemos elas estão somente esperando em nossa boca para sair e se soltarem no mundo”.

*Christine Castilho Fontelles é Diretora de Educação e Cultura do Instituto Ecofuturo

Fonte: Ecofuturo

sábado, 15 de outubro de 2011

Professora inova e alunos lêem mais de 10 livros por semestre

Data: 13/10/2011

Maracy Dourado, conta que antes do Projeto Mala da Leitura, fazer com que os estudantes se interessassem pelos livros era um sacrifício



Implantado há cinco anos, hoje a escola colhe os bons frutos de um projeto simples, mas que se tornou sucesso na unidade escolar. A iniciativa partiu da professora de Língua Portuguesa, que diante da necessidade de estimular a leitura nas salas de aula, teve a ideia de rechear uma mala com vários livros, e transformar as aulas que antes não saiam da teoria em verdadeiras viagens. A escola é o CAIC – Centro de Atenção Integral à Criança, em Palmas, onde adolescentes que não tinham o hábito da leitura, hoje chegam a ler mais de 10 livros por semestre.

A professora responsável, Maracy Dourado, conta que antes do Projeto Mala da Leitura, fazer com que os estudantes se interessassem pelos livros era um sacrifício. “Nossos alunos achavam a literatura uma tarefa enfadonha, ler um livro inteiro então era uma missão quase impossível. A solução foi inovar e criar uma atmosfera de magia e mistério que envolve o mundo dos contos, crônicas, fábulas, dentro de uma mala e dar partida à primeira viagem. Ao longo do projeto percebemos que eles foram começando a se interessar e até mesmo gostar da leitura, mas o mais significativo foi como meus alunos mudaram no que diz respeito à concentração e capacidade de interpretação. O rendimento ultrapassou a disciplina de Língua Portuguesa alcançando outras áreas do conhecimento”, explica a professora.

E quando se entra na sala onde o projeto está sendo aplicado, a impressão é de estar dentro de uma biblioteca, o silêncio só é quebrado quando toca o alarme para o término da aula. E é na sala que os estudantes realizam a leitura. As aulas acontecem duas vezes por semana e são aplicadas em todas as turmas do 6° ao 9° ano da unidade escolar.

E quem leva a mala para a sala são os próprios alunos. Desta vez quem ficou com a missão foi Adria Raab. “O projeto nos fez conhecer um mundo inexplorado, agora gosto muito de ler, e também de poder ajudar nas aulas”, diz. Antes de começar a ler os alunos carimbam um passaporte, na ficha de leitura os meninos registram em que pagina começaram e terminaram a leitura. “Assim na hora atividade posso avaliar o progresso de cada estudante”, afirma Maracy.

Só neste semestre, e bem antes do término do ano letivo, Guilherme Dorneles já leu oito títulos. O estudante conta que com o projeto passou a ter mais facilidade na hora de escrever. “Tenho certeza que vou estar preparado quando o vestibular chegar. Como a gente lê durante o horário da aula, não dá preguiça de ler depois e quando se percebe já lemos vários livros”, conta o estudante.

Outra aluna que não perde uma aula é Marta Pereira. Ela conta que aprendeu a gostar de ler depois das aulas de literatura e que agora não vai mais parar. “Nos livros a gente conhece novas estórias e com muitas delas aprendemos bastante, em cada aula viajamos para um novo mundo de descobertas, esse projeto é muito importante. E por isso agradeço a professora que é nota 10!”, revela.

Foto: Georgia
Fonte: por Geórgia Milhomem em Educação
Postador: surgiu.com (abr)

sexta-feira, 14 de outubro de 2011

"Nunca digo não quando ela pede um livro", diz mãe sobre Dia das Crianças

Além de festejar as crianças, 12 de outubro é o Dia Nacional da Leitura.
Especialista dá dicas para estimular o gosto por livros durante a infância.

Ana Carolina Moreno Do G1, em São Paulo

Ao acordar nesta quarta-feira (12), Carol Miletic, de 8 anos, vai ganhar, além de uma boneca, um livro de presente no Dia das Crianças. A obra, que pertence à série Monster High, estrelada por monstros adolescentes, vai se somar aos cerca de 50 itens da biblioteca da garota, segundo as contas de sua mãe, a contadora Simone Miletic, de 35 anos.

Por incentivo dos pais, leitores inveterados, e da escola, Carol lê no mínimo um livro por semana - média bem superior à das crianças brasileiras entre 5 e 10 anos, que leem 6,9 livros por ano (a grande maioria deles por indicação escolar).

O número, relativo a uma pesquisa nacional do Instituto Pró-Livro publicada em 2008, é pequeno em comparação a outros países, como o Japão. O Ministério da Educação, Ciências e Tecnologia japonês afirmou que as crianças retiraram em média 35,9 livros das bibliotecas públicas em 2007. Esses dados são colhidos a cada três anos desde 1954.

No Brasil, a faixa etária que mais lê é a das crianças de 11 a 13 anos, segundo a pesquisa (leia o arquivo em pdf). São 8,5 livros por ano, sendo que apenas 1,4 deles foram lidos fora da escola. A partir dessa idade, a freqüência de leitura cai: a média da população brasileira acima de cinco anos é de 4,7 livros lidos por ano.


Segundo Christine Castilho Fontelles, diretora de Educação e Cultura do Instituto Ecofuturo, não é possível obrigar ninguém a ter o gosto pela leitura, mas é muito difícil que alguém sem incentivo na infância venha a se interessar pelos livros no futuro.

"O que a gente pode fazer é semear. Nós não nascemos leitores, nos tornamos leitores por convívio e contato. É permanente mesmo, começa na gestação e se estende por toda a vida”, diz ela.

No estudo do Instituto Pró-Livro, a mãe é citada pela maioria dos leitores como principal inspiração para cultivar o hábito. Os números também mostram como a família pode incentivar - ou frear - a leitura. Entre as pessoas que se declararam não leitoras (não leram um livro nos três meses anteriores à pesquisa), 85% afirmou que nunca ganhou um livro de presente.

Já entre os leitores, a porcentagem de pessoas que foram presenteadas com um livro sobe para 52%.

O exemplo dos pais também conta: 60% dos leitores se acostumaram a ver os pais lendo durante sua infância, enquanto 63% dos não leitores nunca ou quase nunca viu esse costume dentro de casa.

Simone Miletic e a filha Carol em exposição sobre o
livro 'O Pequeno Príncipe' (Foto: Arquivo pessoal)

Simone, que ganhou o primeiro livro do pai e era levada à livraria pela mãe uma vez por semana, afirma que Carol teve contato com livros desde a gestação. Antes de conseguir ler sozinha, imitava a mãe sentando ao lado dela com um livro no colo.

“Acho que nunca disse não para ela quando ela pede um livro. É diferente de brinquedo. Para livro, não digo não”, diz a contadora.

Mesmo com tanto estímulo, os pais de Carol passaram por uma fase difícil no processo da alfabetização. A garota teve problemas de aprendizagem na escola e decidiu rejeitar os livros em casa. “Foi muito dolorido até perceber que era um problema dela com a escola e trocá-la de escola”, conta Simone, que hoje leva a filha a livrarias como sua mãe fazia.
 
Guilherme com seu amigo inseparável e um livro
debaixo do braço (Foto: Arquivo pessoal)

Herança de colecionador

O publicitário Alexandre Linhares Giesbrecht, de 35 anos, diz que o filho Guilherme ganhou muitos brinquedos no terceiro aniversário, há duas semanas, e que neste Dia das Crianças vai ganhar um par de calçados.

Os livros, na família dele, são vistos mais como pequenos presentes do dia-a-dia. Guilherme ainda não sabe, mas é dono de uma coleção de revistas em quadrinhos do Pato Donald desde o mês em que nasceu. Alexandre, que quando criança foi incentivado pelo pai a colecionar revistas, decidiu fazer o mesmo com o filho.

"Ele gosta de manter o contato, de estar sempre com um livro, fica folheando”, diz o publicitário sobre Guilherme. “Desde quando mal sabia segurar um livro ficava olhando. É algo que o fascina. Ele pede para a gente contar as histórias pra ele.”

Segundo Alexandre, o item inseparável de Guilherme quando vai à escola é um macaquinho de pelúcia. Mas, quase sempre, ele pede para levar um livro consigo, seja infantil ou de leitura avançada, como os títulos da escritora britânica Agatha Christie. “Se a gente não deixa ele chora”, diz o pai.

 Alexandre Giesbrecht e o filho Guilherme, que não sabe ler, mas tem fascínio por livros (Foto: Arquivo pessoal)
 

Tecnologia
 
Embora defenda que o incentivo à leitura deve começar cedo e se estender durante toda a educação dos filhos, Christine afirma que evitar o contato com suportes mais modernos não é necessário. “As tecnologias não são concorrentes. O computador é mais um caminho, um lugar por onde você envereda também. Uma criança ou jovem que tem entorno cultural bom vai se servir das mídias digitais para fazer suas pesquisas, leituras, escrever, ler, acessar”, afirma ela.

Suportes midiáticos, segundo ela, devem ser apresentados pelos pais para os filhos com a mesma diversidade que alimentos ou músicas.

“Mais do que hábito de leitura, a gente está falando de construção de linguagem”, explica a diretora do Ecofuturo. Segundo ela, a tarefa é desafiadora.

“Quando a gente lê uma imagem, batemos o olho está tudo ali. Com o texto escrito, é formiguinha por formiguinha para formar as letrinhas. O texto se revela pra nós aos poucos, é profundamente diferente da imagem. A imagem é totalizante, o texto não. Quando você lê a imagem você não fantasia, quando você lê isso promove a construção de sinapses extremamente valiosas”, conta.

Carol já tem a própria biblioteca em casa
(Foto: Arquivo pessoal)

Aplicativos

Carol Miletic, que aos quatro anos deslizava sozinha o pequeno dedo na tela sensível ao toque do celular da mãe, para mostrar fotos de seu gato, hoje, aos oito, tem seu próprio netbook e iPod touch. Neles ela mantém um perfil em uma rede social só para crianças, monitorada pelos pais, e se diverte e aprende com diversos aplicativos, como jogos de raciocínio e matemática. Mas, segundo Simone, o único vício da menina que precisa ser limitado é a televisão.

“Ela não é fanática [por computadores]. Tem alguns aplicativos para livros, mas prefere os de papel”, afirma a contadora.

Alexandre afirma que, apesar de ainda não ser alfabetizado, Guilherme já se vira bem no iPad. “Ele gosta de um joguinho em que tem que levar uma criança para a escola, passando por pontes, e de um musical, que vira um teclado”, conta.

O menino, que acaba de completar três anos, recentemente desbloqueou o celular do pai e ligou sozinho para a mãe, ao ver sua foto na tela, sabendo, por observação, que tocar nela acionaria a chamada.

Fonte: G1

sexta-feira, 30 de setembro de 2011

Devemos ler ou contar uma história?

Mónica Semedo, Educadora de Infância
04/03/2005

"Alimentar o imaginário da criança é desenvolver a função simbólica com textos, imagens, sons." Jean Paul Sartre

Desde crianças que ouvimos os nossos pais, avós, amigos ou familiares contarem-nos histórias de encantar em noites sem fim...contavam-nos histórias que tinham na memória, ou mesmo inventadas no momento, inspirados numa formiga que por ali passava perto.

Talvez por, na nossa infância, não existirem muitos livros infantis, a mensagem era passada de boca em boca e todos tinham o hábito de contar uma história. Sentávamo-nos num colinho quentinho e brincávamos com os dedos do nosso contador de histórias, enquanto sonhávamos e viajávamos com o que estávamos a ouvir...muitas vezes adormecíamos embalados por aquelas tão belas palavras...

Nos dias que correm, os livros infantis abundam nas nossas casas e o contar histórias foi desaparecendo, certo é que os colinhos quentinhos perduram e para lhes fazer companhia existe sempre um livro do agrado da criança dando-lhe segurança, porque sabe que tem ali um amigo que a faz fantasiar e imaginar mil e uma aventuras em que gostaria de entrar.

Mas se não temos o hábito de ler ou de contar histórias, qual o melhor caminho a seguir? Ambas as situações são muito importantes e válidas para estimular a criança para a leitura. Porque vai proporcionar-lhe momentos agradáveis e de grande cumplicidade com o colinho quentinho do seu contador de histórias e com os livros em geral.

Para o adulto que não está habituado a lidar com histórias, ler uma é mais fácil, fá-lo sentir-se muito mais seguro e capaz de fazer passar a mensagem ao pequenino que a ouve, e das próximas vezes que o fizer, vai ser tão natural que aquele receio inicial vai desaparecer e nunca mais se vai lembrar dele. Alguns autores defendem que contar uma história à criança dá mais liberdade a quem o faz, porque pode modificar o enredo da história consoante a reacção de quem a ouve, sem no entanto, a alterar. Mas se a lermos vamos passar à criança um modelo de leitor, como deve manusear um livro, desenvolvendo o prazer de ler e o sentido do valor pelo livro.

Claro que ambas as situações são importantes e não nos podemos deixar assustar pelo papão de não termos jeito para contar histórias...coragem! 

12 dicas que facilitam o hábito da leitura

PublishNews - 29/09/2011
 
Confira as 12 dicas que podem dar uma forcinha para quem deseja inserir os livros em sua rotina

Leitura, além de gosto, é hábito. E pra estimular esse hábito, o Blog Livros e Afins, de Alessandro Martins, dá 12 dicas que podem dar uma forcinha para quem deseja inserir os livros em sua rotina. A primeira delas é: busque o prazer de ler, em seguida, tenha sempre um livro consigo, não esqueça de cuidar dos seus olhos, tenha meios alternativos de leitura, procure aperfeiçoar sua leitura e aprenda, de uma vez por todas, como funciona um agregados de feeds. Pra conferir as dicas detalhadamente.

  1.  Em primeiro lugar, busque o prazer de ler: ainda que seja uma leitura densa, dolorosa e triste, há prazer em compartilhar esses sentimentos todos em comunhão artística com o autor e os outros leitores. Descubra como ter a leitura como objetivo e manter o seu prazer.
  2. Tenha sempre um livro consigo: sempre surge a oportunidade de avançar na leitura de um livro, seja na fila do banco, no ônibus ou em algum outro momento inesperado. Atenção: não vá se tornar uma pessoa anti-social. Às vezes uma boa conversa pode ser melhor para passar o tempo. Para esse item, prefira livros pequenos, fáceis de carregar.
  3. Cuide de seus olhos: a não ser que você já domine o braille, vai preferir manter seus olhos em ótimo funcionamento. Esteja atento e faça exames periodicamente. Se precisar usar óculos, use. Fique bem informado sobre seus olhos.
  4. Tenha meios alternativos de leitura: a tecnologia fornece diversas alternativas para atualizar as leituras. Ler na tela do computador pode ser desconfortável, mas já existem formas de ler bons livros, um pouco de cada vez, recebendo pequenos trechos de cinco minutos por em seu email diariamente. Você sabia que até mesmo em seu celular você pode ler livros?
  5. Aperfeiçoe a sua leitura: de que adianta ler se você mal lembra da história um mês depois? Para ler um livro velho como se fosse novo? Bem, a idéia não é má e reler um bom livro sempre é bom, mas se você quer reter mais de tudo aquilo que lê, escolha uma maneira de fazer isso.
  6. Aprenda de uma vez por todas como funciona um agregador de feeds: vamos assumir que, se você está lendo este artigo, você lê blogs. Se lê blogs e ainda não sabe usar um agregador de feeds está muito atrasado e está perdendo tempo ao ter sempre que acessar os seus sites preferidos para saber se eles já foram atualizados ou não. Possivelmente, está perdendo até mesmo textos interessantes. E, muito provavelmente, de blogs que falam de livros, literatura ou que fazem literatura propriamente dita. Aprenda de uma vez a utilizar um agregador de feeds.
  7. Prefira livrarias com bom atendentes: nem sempre os vendedores de livrarias são as melhores pessoas para indicar livros, mas sempre há aquele profissional que se destaca. É aquele que conhece seus gostos e sabe indicar de forma certeira um livro de que você vai gostar. Ou ao menos lhe avisar quando aquela edição que você tanto espera chegou na loja. Em geral, essas pessoas estão nos sebos. Mas há também livrarias com profissionais assim como, em Curitiba, a do Chain e a, infelizmente fechada, do Eleotério.
  8. Saiba fazer pequenos reparos em livros: nem sempre vale a pena. Livros são feitos hoje como um produto qualquer e muitos não valem um centésimo da árvore de onde saiu sua celulose. Mas o bom leitor tem sempre uma ou outra edição rara ou feita com aquela arte que mais não há. Para esses, saiba fazer pequenos reparos e como secá-los no caso de molhados. Mas para evitar esses problemas…
  9. Saiba como guardar seus livros: a melhor maneira de conservar um livro é não o guardando, mas fazendo com que ele circule de mão em mão. O objetivo de um livro é conservar o conhecimento para que esse conhecimento se propague. Guardá-lo em uma estante para o resto da vida é o mesmo que queimá-lo. Mas se você não for capaz de tal generosidade, aprenda a conservar seus livros.
  10. Tenha ao menos um desafio para cada ano: escolha uma grande obra que ainda não tenha lido e comprometa-se a lê-la.
  11. Leia menos para ler mais: se você lê até o ponto de ficar cansado ou de passar os olhos sobre a página sem que se lembre ou tenha consciência do que acabou de ler, algo está errado. Você precisa aprender a parar de ler antes que isso aconteça para que seu horizonte de leitura se amplie e para que a leitura sempre esteja associada a uma atividade prazerosa. Lembre-se: para ler mais, leia menos, mas com mais qualidade.
  12. Saiba onde conseguir livros grátis: livros não são baratos. Você pode conseguir livros grátis na internet com facilidade. Ler na tela ainda é desconfortável, mas esteja ciente das mudanças tecnológicas. É possível que os eBook Readers se popularizem ou, então, alguma outra forma de leitura. Mudanças vão acontecer, não há dúvida. De outra forma, você estaria lendo ainda em papiros e tendo que aprender o funcionamento do livro, essa tecnologia tão recente.
Fonte: Livros e Afins

Leitores antes mesmo de nascer

22/09/2011

Projeto piloto do Bebelendo incentiva a leitura desde a gestação e a primeira infância e já apresenta resultados

Bebês embalados por livros e histórias que os manterão conectados ao hábito da leitura por toda a vida. Esse estímulo ao contato com as histórias desde a gestação e o nascimento -- assim como a promoção da leitura entre as mães, pais e cuidadores das crianças -- é o objetivo do programa Bebelendo, inspirado também nas ações de formação de leitores das Jornadas Literárias, que já faz experiências práticas.

Desde fevereiro de 2010, o projeto idealizado por Rita de Cássica, à época professora da Universidade de Passo Fundo e hoje consultora da Unesco, é aplicado nos municípios gaúchos de Erechim e Tapejara. Hoje, cerca de 40 pessoas participam do projeto -- gestantes e bebês de famílias de vulnerabilidade social -- que tem apoio financeiro da Unesco e conta com aparatos físicos e funcionários da prefeitura dos municípios. E muitos resultados já estão sendo observados: os bebês que participaram do programa mostram maior atenção às histórias e interesse pelos livros, enquanto as mães leem mais e servem como mediadoras não só com o bebê, mas também com os outros filhos. Agora, a expectativa de Rita é conferir o resultado na fala dos bebês.

As últimas descobertas da neurociência mostram que de 0 a 3 anos acontece um importante desenvolvimento cerebral. E que pode haver mudanças de acordo com os estímulos fornecidos. “Os comportamentos dessa fase servem de base para a vida toda”, explica Rita. Através do contato com a leitura e literatura neste período, acredita-se que a criança também vai ter uma capacidade linguística mais bem desenvolvida: 50% da capacidade é hereditária, e 50% pode ser influenciada pelo meio. “Então, se as mães leem mais elas também influenciam na capacidade linguística do filho.”

O projeto propõe que desde a gestação a mulher participe de encontros semanais nas bibliotecas municipais. Em um primeiro momento, a professora Rita explica às mães a importância de estimular a leitura e a contação de histórias desde a gestação. Então, a partir do sétimo mês, as gestantes passaram a se encontrar semanalmente com duas mediadoras na biblioteca para ouvir uma história contada, aprender cantigas de ninar e parlendas – que devem contar e cantar aos bebês. Aos poucos, são estimuladas a introduzir as histórias e os livros a eles.

Passado um ano e sete meses de trabalho, os resultados são animadores. “Observamos claramente que os bebês desenvolveram comportamentos de leitores. Eles prestam muita atenção quando se contam histórias, muito mais do que os bebês que não participaram do programa”, conta Rita. Outras descobertas: o vínculo afetivo entre a mãe e o bebê ficou mais forte e os pequenos também ficaram mais sensíveis à música e se movimentam no ritmo dela. Por sua vez, as mães também desenvolveram comportamentos de leitoras, retirando em média três livros por mês da biblioteca. “Agora estamos ansiosos para ver os resultados na fala dos bebês, de como as histórias estimularam a sua capacidade linguística”, diz Rita.

O programa piloto do Bebelendo vai durar ao todo três anos, contando com a parceria da Unesco. Resultado do trabalho de mestrado da professora Rita, o projeto é detalhado no livro Programa Bebelendo – uma intervenção precoce de leitura, escrito em parceria com a sua orientadora de Mestrado, a professora Tania Rösing, que também é coordenadora das Jornadas Literárias de Passo Fundo. “A grande meta é que o programa se torne uma política pública em todo o País”, entusiasma-se Rita. 

Fonte: PublishNews